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  • Foto do escritorLuzo Dantas Jr

Effatha ‘ajusta átomos’ para crescer no campo

Atualizado: 4 de ago. de 2022

Com solução que melhora o metabolismo das plantas, empresa prevê forte

aumento de receita




Por Fernanda Pressinott — De São Paulo

05/04/2022 05h03 ·

Rodrigo Lovato e Luzo Dantas Junior (de óculos), da Effatha Agro: testes da tecnologia em andamento em dez países —

Foto: Divulgação


Reorganizar átomos em laboratórios superequipados parece coisa de filme de

ficção, mas essa tecnologia não só é real como está sendo empregada por uma

empresa brasileira no agronegócio pela primeira vez. Depois de 20 anos de

pesquisa, a Effatha Agro criou uma solução que altera e reorganiza a distância

entre os átomos dos nutrientes para que as plantas consigam absorvê-los mais

facilmente.


Como resultado, garante a empresa, as plantas crescem com mais vigor, e a

produtividade das lavouras aumenta. A solução também permite fazer o contrário,

limitar o acesso das plantas a elementos prejudiciais às culturas.


Para garantir que a ideia funciona, a Effatha oferece aos clientes um teste gratuito

obrigatório antes da contratação do serviço. No momento, 50 mil hectares estão em

fase de testes em dez países, entre eles Israel e Estados Unidos.


Com soluções comerciais desde 2019, a Effatha Agro faturou R$ 600 mil em 2021,

quando vendeu a apenas oito clientes, e prevê chegar a R$ 4 milhões neste ano.

“Estamos prospectando muitos clientes nesses 50 mil hectares em teste, e por isso

temos certeza do aumento da receita”, diz Luzo Dantas Junior, diretor de tecnologia

da empresa.


Ele explica que, com mais distanciamento entre os átomos de potássio, por

exemplo, as plantas usam menos energia para quebrar essas partículas e usar na

metabolização de gordura, aminoácido e hormônio. Assim, a solução funciona com

qualquer nutriente.


Vídeo foi inspiração


Dantas Junior, que sempre atuou com tecnologia da informação, teve a ideia de

rearranjar átomos em 2000, depois de assistir a um vídeo na internet que mostrava

o uso de diferentes frequências de som no rearranjo de areia em uma placa de

alumínio. Em 2007, ele teve seu primeiro resultado em laboratório e, sete anos

depois, criou uma solução.


Luzo encontrou Rodrigo Lovato, veterinário de formação, apenas em 2017, e só

então surgiu uma solução comercializável. “Luzo queria conhecer a fórmula química

de um corante e um amigo nos apresentou. Achei ideia dele incrível e começamos a

trabalhar juntos”, diz Lovato, que tem um laboratório em Campinas (SP). Segundo

eles, a tecnologia não deixa resíduos no meio ambiente nem nos alimentos e pode

ser usada em conjunto com os defensivos que o produtor já utiliza.


No modelo de negócios da Effatha, o produtor paga um valor cheio por hectare. A

reorganização de átomos ocorre desde antes da semeadura até a fase final de

enchimento de grãos ou crescimento das plantas, por controle via satélite. A

tecnologia serve a qualquer cultura, mas há modelos previamente desenhados para

soja, milho, cana, feijão e arroz.


Já observada por pesquisadores da Esalq, USP Ribeirão Preto, Instituto Biológico de

São Paulo, UFV e Unesp, a tecnologia atraiu o interesse de fundos de investimento

pela Effatha. Mas os sócios preferem seguir como estão. “Estamos fugindo do

modelo de startups e de investidores que ficam alguns anos, compram grande parte

da empresa se metem no operacional. Seguimos sozinhos”, diz Dantas.


A companhia faz parte da holding Arca Real, criada pelas duas empresas dos

executivos, a DNApta, de Lovato, que atua em biotecnologia, e a Effatha, que era

do Dantas, ambas com outros sócios. Eles também estão iniciando testes na Statera

Agro, que quer criar parcerias com empresas de defensivos para potencializar os

efeitos sobre os patógenos.

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